IX Congresso Nacional de Psiquiatria

Caro(a) Colega,

Na continuidade das suas múltiplas actividades a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental irá organizar em 2013, entre 31 de Outubro e 2 de Novembro, o IX Congresso Nacional de Psiquiatria.

O tópico central do congresso será a Psicopatologia, no ano em que se comemora o centenário da publicação de “Psicopatologia Geral” de Karl Jasper, o livro que poderemos qualificar como seminal e constitutivo da especialidade de psiquiatria.

Apesar dos avanços no conhecimento neurocientífico ainda hoje os nossos diagnósticos estão estritamente ligados às suas descrições psicopatológicas originais. Ainda que nas últimas décadas a psiquiatria se tenha fortemente apoiado na Medicina e na Psicologia para desenvolver os seus modelos de compreensão e tratamento das patologias mentais, cada vez mais nos estamos a aproximar dum limite.
Por um lado, a contribuição da investigação psicofarmacológica para uma maior eficácia dos tratamentos e para a melhoria do conhecimento etiopatogénico das nossas doenças tem sido desapontante. Na psiquiatria biológica a contribuição dos novos métodos de imagem que se aplicam na investigação (para não falar na clínica) tem sido claramente sobrevalorizada e tem conduzido a novas formas de reducionismo. Por outro, as escolas de Psicologia mais prevalentes na psicoterapia (dinâmicas, comportamentais e cognitivas) tem uma visão fragmentaria e parcelar do ser psicológico e as suas indicações, métodos e resultados refletem essa parcialização da condição humana.
Finalmente, a deriva nosológica da DSM e da ICD que procurou mais uma consensualização diagnóstica do que uma verdadeira e genuína validação das entidades que classificam, produziu e está a produzir uma ilusão científica que tem vindo a prejudicar a credibilidade da psiquiatria na sua essência.

O retorno à psicopatologia como disciplina básica e fundamento da clínica poderá ser um dos meios de ultrapassar o impasse em que nos situamos, diminuindo o risco de sermos incorporados noutros ramos do saber, disciplinas e práticas. Mas será a psicopatologia descritiva, fenomenológica o objecto de estudo? As suas ligações à filosofia? O seu cepticismo em relação ao psicologismo e ao organicismo dos psicopatologistas clássicos?
Há todo um repositório de saber e de questionamento que não podemos por de lado e que nos ensina uma lição fundamental. A validade das categorias e descrições da clinica psiquiátrica, o seu uso na clínica, passam pela reposição de uma nova visão crítica e epistemiológica da produção do saber psiquiátrico. Passam pelo retorno à psicopatologia e pelo seu apoio e suporte à investigação clínica.

Convidamo-lo assim a participar neste evento científico, pela sua presença ou ainda mais activamente através de algum trabalho que queira ver apresentado no Congresso.

Maria Luísa Figueira
Presidente da Organizadora e da SPPSM
Pedro Varandas
Vice-Presidente Comissão Organizadora